Cristina Almeida Ribeiro is Full Professor at the Romance Literatures Department, Faculty of Arts, University of Lisbon. Her research areas include French Literature (12th-17th centuries), Portuguese Literature (15th-17th and 20th centuries), Spanish Literature (13th-17th centuries) and, more recently, also Latin-American Literature. At the Centre for Comparative Studies, University of Lisbon, she coordinates the Project ECHO - Poetry and Poets from Cancioneiro Geral.

ABSTRACT
"Is There Iberia in Late Medieval and Early Modern Times?"

To speak of Iberia conceived as a more than geographic unit has become so natural nowadays that we almost forget that such a perception did not exist for centuries, neither for the intellectuals nor for the rulers. When we go back to late medieval times and get aware of the hegemonic ambitions aiming the domination of the peninsular territory, we understand that in the horizon of the kings there was no will of dominating a homogeneous space simply known as Iberia – a meaningless word by then –, but rather the will of adding to their names an enlarged list of domains, that, for their juxtaposition, would bring to light the glory of their conquests or the extent of their political views. Reverberating over the cultural and literary milieu the rivalry existing at social and political levels, the activity of poets was also developed under that emulation principle, which, claimed or dissimulated, led each national group to the search of its own identity to be fulfilled by means of superiority or of difference. And yet it is impossible not to recognize that historical reality favoured an intensive cultural exchange, which, in the rhythm of alliances and confrontations, embassies and exiles, made possible the emergence of elective affinities as well as the constitution of common frames of reference that appear to give the 21st century scholars a reason to study in their specificities Iberian songbooks or Iberian pastoral novel.



La naturalidad con que se habla hoy día de Iberia como una unidad no solamente geográfica casi hace olvidar que a lo largo de varios siglos tal percepción no existía, ni para los intelectuales, ni para los políticos. Cuando nos remontamos a finales de la Edad Media y nos damos cuenta de las aspiraciones hegemónicas en cuanto al dominio del territorio peninsular, inmediatamente comprendemos que en el horizonte de los reyes no cabía entonces la voluntad de tutelar un espacio homogéneo y simplemente designado por Iberia –palabra desprovista de sentido en aquella época–, sino más bien el deseo de asociar a su nombre un elenco alargado de señoríos, que, gracias a esa enumeración, exhibirían la gloria de sus conquistas o el alcance de su visión política. Repercutiendo a nivel cultural y literario la rivalidad patente en el plan social y político, también la actividad de los poetas se hacía entonces casi siempre bajo el signo de la emulación, que, asumida o disimulada, se traducía, para cada grupo nacional, en la búsqueda de una identidad propia, reafirmada a través de la superioridad o de la diferencia. Y, sin embargo, es imposible no reconocer que la realidad histórica favorecía un intercambio cultural intenso, el cual, al ritmo oscilante de alianzas y confrontaciones, embajadas y exilios, permitió la emergencia de afinidades electivas y la constitución de cuadros de referencia comunes que parecen dar a los estudiosos del siglo XXI razones para estudiar, en su especificidad, los cancioneros ibéricos o la novela pastoril ibérica.



A naturalidade com que tantas vezes hoje se fala da Ibéria concebida como uma unidade mais do que geográfica quase faz esquecer que durante séculos uma tal percepção não existiu, nem para os intelectuais, nem para os governantes. Quando remontamos aos finais da Idade Média e nos confrontamos com aspirações hegemónicas tendentes ao domínio do território peninsular, depressa percebemos que no horizonte dos reis não estava então a vontade de tutelar um espaço homogéneo e simplesmente designado por Ibéria – palavra então desprovida de sentido –, mas antes o desejo de associar ao seu nome um elenco alargado de senhorios, que, pela justaposição, exibissem a glória das suas conquistas ou o alcance da sua visão política. Repercutindo no plano cultural e literário a rivalidade patente no plano social e político, também a actividade dos poetas se fazia então quase sempre sob o signo da emulação, que, assumida ou dissimulada, se traduzia, para cada grupo nacional, na busca de uma identidade própria, passível de afirmação através da superioridade ou da diferença. E, no entanto, impossível será não reconhecer que a realidade histórica favorecia um intercâmbio cultural intenso, que, ao ritmo oscilante de alianças e confrontos, embaixadas e exílios, permitiu a emergência de afinidades electivas e a constituição de quadros de referências comuns que parecem dar aos estudiosos do século XXI razões para estudar, na sua especificidade, os cancioneiros ibéricos ou o romance pastoril ibérico.